negociar os juros do financiamento do seu veículo

11 dicas para negociar os juros do financiamento do seu veículo

Posted on Postado em Juros abusivos de financiamento

Comprar um carro novo ou trocar o antigo pode se transformar em um verdadeiro pesadelo. Para isso acontecer, basta que as parcelas de um financiamento sejam pesadas demais para o seu orçamento ou, pior, que não seja mais possível arcar com o valor delas. Uma das medidas é negociar os juros do financiamento do seu veículo.

O que muita gente não sabe é que, em muitos casos, o financiamento de veículos pode estar vinculado à prática dos chamados juros excessivos — que nada mais são do que a cobrança indevida (ou até mesmo ilegal) de taxas ou tarifas abusivas. Por isso, é importante negociar os juros do financiamento do seu veículo.

Para esses casos, uma boa solução é a ação revisional, que é uma revisão das cláusulas de um contrato, a fim de identificar irregularidades e resguardar os direitos do consumidor. Esse procedimento permite que muitos contratantes de financiamento de veículos consigam reduzir juros e, em certos casos, até abater a dívida total — o que varia conforme as condições de cada contrato.

Além dessa, existem muitas outras medidas e cuidados que ajudam na negociação de juros. Na sequência, entenda mais sobre a ação revisional e conheça 11 dicas preciosas para negociar os juros do financiamento do seu veículo. Boa leitura!

1. Não seja precipitado

Por mais que seja natural e compreensível que a ansiedade domine e a vontade de acertar tudo para colocar as mãos nas chaves do novo carro seja tentadora, o primeiro passo para não ser vítima de juros abusivos é não se precipitar.

Sem negociar os juros do financiamento do seu veículo, as chances de você fechar um mau negócio na primeira concessionária que visitar são altas. Por isso, calma! Atente-se para os seguintes cuidados:

  • pesquise muito antes de tomar sua decisão;
  • avalie preços em diferentes bancos, montadoras e instituições financeiras;
  • analise atentamente as condições de pagamento, prazos e taxas oferecidas por cada uma delas.

2. Defina quanto você pode investir no veículo

Muito mais do que conseguir fazer um financiamento longo (assumindo um grande número de parcelas) com uma taxa de juros convidativa, é determinar o quanto você realmente pode investir no veículo novo.

De nada adianta fazer um parcelamento se você não conseguir arcar com as mensalidades e acabar perdendo seu tão sonhado veículo. Também não é válido comprometer demais o seu orçamento familiar em prol da aquisição de um novo carro. A dica é jamais ultrapassar a faixa de 30% do seu rendimento mensal com dívidas.

Por esse motivo, antes de sair pesquisando qual veículo faz seu coração bater mais forte, defina o quanto você pode destinar para esse fim e filtre as suas buscas, levando esse limite sempre em consideração.

3. Utilize simuladores de parcelamento

Para não cair no risco de arcar com taxas abusivas e ilegais e, claro, escolher a melhor opção para a sua demanda, uma boa alternativa é a utilização de alguns simuladores eletrônicos que você pode encontrar disponíveis na internet.

Para usá-los, basta informar:

  • o valor aproximado do carro a ser adquirido;
  • o montante a ser pago como entrada;
  • a quantidade de parcelas desejadas no financiamento.

Com essas informações, o simulador informará o valor de cada parcela e a taxa de juros do financiamento.

4. Fique atento às variações cambiais

É importante ressaltar que a taxa de juros está sujeita às alterações impostas pelo Banco Central do Brasil, que tem o poder de elevar ou reduzir a taxa básica de juros (SELIC). Isso influencia diretamente no valor de financiamentos de bens e mercadorias. Portanto, fique sempre atento para escolher o melhor momento de fazer o seu financiamento.

Lembre-se, ainda, que cada banco ou instituição financeira pratica valores distintos. Por isso, quando ocorre inadimplência e o devedor não tenta renegociar a dívida, os valores podem tomar proporções enormes — principalmente em bancos que cobram taxas de juros maiores.

5. Veja qual é a melhor opção para você: carro novo ou usado

É hora acender o alerta e coloca em ação a consciência de novo: lembra que você nunca deve comprometer seu orçamento em mais de 30%? Pois é, se as contas não estão tão folgadas quanto você gostaria, talvez seja o caso de pensar em adquirir um veículo usado.

No entanto, é preciso ter calma também ao pensar em adquirir um veículo usado. Sem uma boa pesquisa de mercado, você pode contrair uma dívida ainda maior do que o valor financiado de um carro zero quilômetro.

As taxas de financiamento cobradas pelos bancos no financiamento são influenciadas por uma série de fatores, a começar pelo modelo e ano do veículo. Nesse caso, a lógica é simples: quanto mais atual o carro, mais reduzidas elas serão.

Parece não fazer sentido, não é mesmo? Mas veja bem: carros mais atuais representam riscos muito menores de inadimplência. Logo, os bancos assumem um risco menor, ao realizar empréstimos para o financiamento de carros novos do que quando oferecem o mesmo para carros antigos.

Além disso, vale lembrar que você também vai precisar fazer um seguro para o seu carro. Para as seguradoras, a regra é a mesma: quanto mais novo o veículo, melhores as condições e menores os valores do seguro.

6. Observe a categoria do seu veículo

Aqui, mais uma vez, as condições de pagamento são influenciadas pelo risco que os bancos assumem ao financiar carros, ou seja: os veículos que apresentam menores índices de inadimplência contam com taxas de juros mais amigáveis.

Nesse sentido, veículos utilitários como o Kangoo, o Doblô ou caminhões geralmente possuem taxas mais elevadas do que os de passeio. Portanto, fique atento, mais uma vez, para ver se a sua escolha condiz com o seu orçamento.

7. Procure dar uma boa entrada ao financiar um carro

Esse é outro fator determinante para que você consiga melhores taxas de juros para o seu financiamento. Quanto maior for o valor pago como entrada, maiores as chances das taxas de juros serem menores.

Além disso, ofertando um bom valor de entrada, as instituições oferecem uma margem muito melhor para negociação e redução do valor das parcelas de financiamento. A premissa é bem simples: se você consegue arcar com a metade do valor do carro já na entrada, por exemplo, pode fazer um financiamento em até a metade do tempo.

Nesses casos, os bancos oferecem vantagens e parcelas mais leves para que a dívida seja paga o mais rápido possível: vantagens para ambos os lados, concorda?

8. Fique atento a propostas milagrosas

Sabe aquelas propagandas comoventes que oferecem taxas e condições de pagamento que mais parecem um sonho? Pois é, se estiverem muito divergentes dos valores praticados em outras instituições (o que você descobrirá detalhadamente fazendo sua pesquisa), desconfie!

Muitas vezes, concessionárias e montadoras anunciam condições de pagamento atraentes, propostas aparentemente imperdíveis, com taxa de juros de 0% e sem entrada, mas cuidado! Isso pode ser uma cilada.

A verdade é que, em um financiamento de veículo, não são apenas os juros do banco que afetam o valor da prestação. Além deles, existem uma série de tarifas, como:

  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF);
  • taxas de cadastro de crédito;
  • seguro do veículo etc.

Então, a mensagem é clara: não seja ingênuo! Observe o valor integral a ser pago concretamente e, mais uma vez, pesquise e negocie.

9. Lembre-se dos gastos associados ao veículo

Lembrar que você terá gastos com o carro além dos valores das parcelas pode parecer óbvio. Acontece que muitas vezes o comprador não possui real noção das dimensões desses valores. O segredo para manter as contas sempre em dia é o planejamento.

Por isso, ao planejar seu orçamento, lembre-se que, além da mensalidade do financiamento, você terá custos (consideravelmente altos) com:

  • combustível;
  • seguro;
  • manutenção;
  • limpeza;
  • estacionamento, entre outros.

Coloque tudo no papel e faça as suas contas para não tomar sustos no futuro.

10. Pesquise sobre as vantagens das montadoras

Uma alternativa cada vez mais popular para quem busca boas condições de financiamento de veículos é a realização do parcelamento nos bancos das próprias montadoras.

Essas instituições oferecem vantagens diferenciadas em relação aos bancos tradicionais, pois, por estarem associadas a todo o processo produtivo, conseguem negociar valores mais vantajosos.

No entanto, uma ressalva precisa ser feita: ao realizar o financiamento do veículo diretamente em uma concessionária autorizada, cuidado para não cair nas tentações de comprar em conjunto pacotes de acessórios, seguros da instituição etc. Não é incomum que montadoras empurrem vendas casadas para os clientes.

Não que você não possa ou não deva usufruir dessas possibilidades, só tome cuidado e não se esqueça de avaliar sempre o seu orçamento. Mais uma vez: agir por impulso pode significar grandes prejuízos.

11. Negociar os juros do financiamento do seu veículo é importante

Tomados todos os cuidados antes financiar o seu veículo, ainda pode acontecer de você estar sendo vítima de taxas e cobranças abusivas. E, nesses casos, cabe somente a você pleitear os seus direitos, negociar os juros do financiamento do seu veículo com os bancos ou instituições financeiras ou, em casos mais extremos, acionando a justiça.

No contexto do financiamento de veículos, você deve ficar atento e se informar sobre dois fatores-chave. O primeiro é a onerosidade excessiva, que se dá quando você é vítima de taxas e juros ilegais, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e o Código Civil (CC).

Já o segundo fator é a chamada ação revisional que, como mencionamos lá no início do artigo, é uma forma de corrigir e reduzir o valor das parcelas do seu financiamento. Na sequência, explicaremos com mais detalhes cada um desses itens:

Onerosidade excessiva

A onerosidade excessiva se institui quando, na celebração de contrato, um evento dificulta em demasia o cumprimento das cláusulas acordadas. Na prática do financiamento de veículos, isso ocorre quando o contratante, por algum motivo (seja pessoal ou financeiro) não consegue mais honrar com as prestações acordadas.

Nesses casos, quando não há uma renegociação da dívida, ocorre a inclusão do nome do cliente nos órgãos de proteção ao crédito, como o SPC e o SERASA.

Com isso, muitos bancos passam a cobrar juros extremamente altos (e abusivos) do devedor, que tornam a quitação da dívida ainda mais difícil. Em alguns casos, a prática da onerosidade excessiva precede a inadimplência — o que legalmente, em ambos os casos, gera a possibilidade de revisão ou resolução do contrato.

Na sequência, explicaremos com mais detalhes o que é a ação revisional e como ela pode ajudar você a negociar os juros do financiamento do veículo e assegurar seus direitos enquanto consumidor. Confira!

Ação revisional

Se o seu financiamento já está em vigor e o contrato assinado e, ainda assim, você acredita que está sendo vítima de juros abusivos — ou, em casos mais extremos, já está inadimplente — você tem direito a acionar a ação revisional.

Com ela, caso seja comprovado que se trata de onerosidade excessiva e juros abusivos, o valor das suas parcelas pode ser reduzido e, em alguns casos, o montante já pago pode ser abatido, até integralmente, da dívida total financiada.

O objetivo da ação revisional é discutir judicialmente a validade dos juros praticados em um financiamento, observando se eles respeitam o teto estipulado na tabela mensal oferecida pelo Banco Central (BACEN).

Caso o banco ou instituição financeira se negue a renegociar a dívida (o que não costuma acontecer com frequência), a ação revisional pode ser pleiteada nas varas judiciais. Elas julgarão a aplicabilidade do instituto. Se for considerado pertinente, pode ser concedida uma liminar ao reclamante para suspender as parcelas de valor exorbitante.

Com isso, a dívida passa a ser paga via depósito judicial, no montante (menor) sentenciado pelo juiz. O instituto protege o devedor da busca e apreensão do veículo em sua posse, além de impedir o cadastro do seu nome nos órgãos de proteção ao crédito.

A ação revisional já um instituto amplamente utilizado no financiamento de veículos que, em diversos casos, é reconhecido pelas próprias instituições financeiras que, ao se depararem com pedidos semelhantes, oferecem renegociações da dívida.

Portanto, fique atento aos contratos que assina e não deixe passar nenhum direito em branco! Caso se sinta de algum modo lesado, acione imediatamente uma empresa especializada.

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