Saiba o que é spread bancário e como ele influencia o crédito para compra de veículos

Saiba o que é spread bancário e como ele influencia o crédito para compra de veículos

Posted on Postado em Dicas e Dúvidas

O funcionamento da economia de um país depende de movimentações financeiras e, nesse cenário, os bancos surgem como verdadeiros intermediadores de crédito, beneficiando o mercado e os consumidores ao mesmo tempo. Você Sabe o que é spread bancário?

Certamente, nenhuma organização empresta dinheiro se não obtiver alguma vantagem, mas de onde vêm esses  recursos e como consegue lucrar em cima disso?

Trata-se de uma resposta relativamente simples quando se sabe o que é spread bancário.

O tema envolve muitos detalhes e está presente em diversas transações que acompanhamos no dia a dia.

Pensando nisso, elaboramos um post sobre o conceito e a relação do spread bancário na concessão de crédito para a compra de um veículo.

Confira!

O que é spread bancário?

A palavra spread é de origem inglesa e significa “espalhar” ou “propagar” algo. Entretanto, conforme a área em que é empregada, o vocábulo pode ganhar conotações diferentes.

No setor da economia, o spread está relacionado com uma margem, traduzindo-se na diferença entre a taxa de juros que o banco paga para usar o dinheiro de seus investidores e a taxa de juros que essa mesma instituição cobra para emprestar esse dinheiro.

Ou seja: é a porcentagem de lucro que as instituições financeiras têm ao realizar operações de aplicação e empréstimos.

Na prática, funciona da seguinte maneira:

  • quando um cliente deposita as suas economias em uma caderneta de poupança ou outro tipo de aplicação, ele está emprestando ao banco e será remunerado com a taxa de captação — mês após mês, o seu dinheiro renderá com base nesse índice;
  • na outra mão, temos a instituição financeira figurando como credor e impondo à pessoa que veio solicitar crédito uma taxa ainda maior que a de captação — afinal, os bancos sobrevivem desse ciclo.

Qual a sua relação com o financiamento de um veículo?

As linhas de financiamento para a aquisição de veículos se enquadram nas modalidades com as menores taxas de juros, correspondendo a aproximadamente 1/5 das concessões direcionadas a pessoas físicas.

Talvez essa característica se justifique pelo fato de que o mercado de crédito assentado na alienação de tais bens não mitigue tantos riscos quanto o rotativo do cartão de crédito, por exemplo.

Afinal, o automóvel só integra a propriedade do comprador após ser devidamente quitado.

Antes disso, o inadimplemento enseja a sua retomada pelo banco.

Em regra, os spreads são influenciados pelo aquecimento ou desaceleração da economia, bem como pela natureza do empréstimo — se determinado setor que apresenta taxas de juros mais baixas está em queda, a tendência é o aumento do spread bancário; quando o mercado de empréstimos das linhas mais caras está em alta, os spreads sofrem redução.

Foi justamente o que aconteceu com os rumos dos financiamentos para compra de automóveis: o setor fechou o ano de 2016 em retração, e o spread, consequentemente, subiu, ao passo que com a virada do ano a reação nas vendas fez a margem cair.

Quais elementos compõem a taxa do spread?

Sabemos que as variações na economia interferem diretamente nas alíquotas do spread bancário.

Contudo, os bancos não detêm liberdade para fixar tais valores conforme seus critérios subjetivos.

Outros aspectos também serão determinantes para justificar os resultados. São eles:

  • custo administrativo: gastos para manter a agência em pleno funcionamento, como equipamentos, funcionários;
  • custo do risco: trata-se de uma reserva de caixa para eventualidades ou inadimplência;
  • encargos fiscais: são os impostos e o compulsório que o governo regula de acordo com a necessidade de injetar ou retirar capital da economia;
  • custo de captação: exatamente quanto o dinheiro custa para o banco, tendo por base a taxa Selic;
  • lucro: percentual líquido da receita ao final da operação.

Por que o spread é tão alto no Brasil?

Evidentemente, cada país possui realidades e formas distintas de tratar o assunto.

Por exemplo, um dos vilões apontados pelas agências bancárias para justificar a alta taxa de spread é o custo administrativo.

Mas isso poderia ser reduzido com o maior investimento em tecnologia, a fim de proporcionar melhores condições de trabalho, seguindo os moldes das nações com sistemas altamente modernizados, indicados para potencializar a parte operacional e enxugar o seu orçamento.

Além disso, com a excessiva carga tributária do nosso país, é difícil operar com índices menores se comparado a muitas outras nações como na União Europeia, cujas taxas de juros possibilitam spreads baixíssimos.

E não podemos deixar de mencionar o problema da inadimplência — é  um fato que os brasileiros contam com educação financeira precária que, somada aos longos prazos de financiamento, como os de veículos, cria uma chance maior de acabarem endividados, não conseguindo honrar com todos os seus compromissos.

Por que é importante ter conhecimento sobre ele para a compra de um carro?

Entender o que é spread bancário é de suma importância para selecionar as condições de financiamento mais justas, pois há diferenças entre o custo do dinheiro e as taxas que cada banco cobra dos seus clientes.

Enfim, ele influenciará no custo final do produto.

Isso significa que um mesmo carro, adquirido de uma única concessionária, apresentará valores distintos a depender da organização bancária escolhida.

Quanto maior for o spread, mais caro será o custo do seu empréstimo.

Para o financiamento de veículos, é possível inclusive descobrir spreads negativos.

A melhor prática é comparar a taxa básica de juros brasileira (a Selic) com as alternativas de empréstimo.

Aquelas cujas taxas de juros forem mais baixas em relação à Selic representam a alternativa vantajosa.

Em uma economia cujo custo dos financiamentos é tão alto, como a do Brasil, entender o que é spread bancário é fundamental.

É assim especialmente porque os bancos também se colocam na condição de vítimas desse sistema financeiro, diversas vezes cobrando percentuais abusivos, apesar de outros países emergentes conseguirem trabalhar com índices muito menores que os nossos.

Diante da incerteza de quem está com a razão, o que resta aos consumidores é captar esse conceito e tentar fugir dos encargos excessivamente elevados.

Gostou deste artigo? Então, agora que você já sabe o que é spread bancário e conhece a sua interferência no mercado, continue aprendendo sobre o financiamento de veículos, lendo também o nosso post sobre o que é CET.